O ponto de partida
A B2HR é uma consultoria de gestão de pessoas que crescia mais rápido do que o próprio site conseguia comunicar. O que estava no ar tinha nascido em outro momento da empresa e já não representava nem a marca nem a operação: tom excessivamente formal, muito texto e pouca imagem, informação demais competindo por atenção e uma navegação que exigia paciência para achar o que importava. Clientes, parceiros e produtos, que eram a maior prova de valor da consultoria, apareciam de leve ou não apareciam. E não havia espaço para o que a B2HR mais queria dizer, o seu propósito e a sua forma de trabalhar com pessoas.
Assumi o projeto como Product Owner e líder, representando a voz do negócio entre a diretoria, o time de marketing e o fornecedor de design contratado. Era a primeira vez que eu conduzia a criação de um site do início ao fim, e isso significava cuidar de tudo: levantar requisitos, desenhar a arquitetura da informação, escrever o conteúdo, traduzir a marca para quem ia executar o layout e organizar cada página dentro da plataforma.
O desafio
Transformar um site institucional pesado e pouco convidativo em uma experiência clara, humana e, acima de tudo, feita para converter visitante em contato. O pedido do negócio era direto: mais visibilidade, mais autoridade de marca e um caminho óbvio para quem chegava virar um lead. Tudo isso sem depender de um desenvolvedor a cada ajuste de texto, porque a manutenção precisava ficar nas mãos do time interno.
Por que WordPress e Elementor
O site foi construído em WordPress com Elementor pelo fornecedor de design, e essa escolha resolvia uma exigência que estava no topo da lista, a autonomia. Com essa base, eu conseguia inserir e reorganizar conteúdo, ajustar páginas e publicar novidades sem abrir um chamado técnico para cada mudança. A plataforma disponível, bem usada, deu ao time a independência que um site vivo de consultoria precisa ter.
A jornada
Antes de propor qualquer tela, fui entender o site que já existia e o que ele deixava de fazer. Naveguei página por página com olhar de quem chega de fora e marquei, direto sobre as capturas no Miro, cada ponto que travava a leitura ou escondia uma oportunidade de contato. Esse diagnóstico anotado virou o mapa do que precisava mudar e por quê.
A partir daí, o trabalho deixou de ser sobre estética e passou a ser sobre estratégia. Defini quatro públicos que o site precisava atender ao mesmo tempo, parceiros, clientes, profissionais de RH e candidatos, e usei essa segmentação como filtro para toda decisão seguinte: se um conteúdo não servia a nenhum deles, ele saía da página.
Processo e papel
Conduzi o projeto em um método colaborativo e ágil, articulando diretoria, marketing e fornecedor. Na prática, meu papel se dividiu em cinco frentes:
- Levantamento e escuta. Reuni os requisitos em conversas com o marketing, os heads de cada área e o CEO. Numa empresa enxuta, a escuta aconteceu no dia a dia, integrada à rotina, e o Miro virou o espaço onde cada decisão ficava registrada e visível para todos.
- Estratégia de conteúdo. Mapeei tudo o que precisava ser reunido ou criado, das mini bios das lideranças aos produtos e seus benefícios, dos logos atualizados de clientes e parceiros aos materiais gratuitos, depoimentos e números de destaque. Escrevi o conteúdo das páginas e tratei cada texto para soar como a B2HR fala, não como um site institucional genérico.
- Arquitetura da informação. Desenhei o sitemap a partir das prioridades definidas com o CEO para a home, proposta de valor, serviços, depoimentos e resultados, e estruturei as páginas internas para complementar sem sobrecarregar. Cada página ganhou um caminho claro de conversão em vez de um beco sem saída.
- Ponte entre marca e execução. Traduzi o manual de identidade e as diretrizes visuais para o fornecedor executar o layout, e revisei cada versão intermediária com anotações no Miro, de forma síncrona e assíncrona, até o resultado bater com a marca.
- Montagem e validação. Organizei e inseri o conteúdo no WordPress e conduzi a validação com o time interno, testando se a home guiava bem, se a informação estava clara e se as descrições de serviço faziam sentido para quem lê de fora.
Um detalhe estrutural carrega a tese do projeto: em vez de concentrar o contato numa única página, espalhei um chamado para conversar em cada página do site, sempre ligado ao WhatsApp. A arquitetura inteira foi pensada para encurtar a distância entre ler sobre a B2HR e falar com a B2HR.
A entrega
O novo site foi ao ar responsivo, com hierarquia clara, tom mais humano e as áreas de atuação e produtos finalmente visíveis. A home passou a abrir com uma proposta de valor direta e a conduzir o visitante pelos serviços, pelas provas de resultado e pelo contato, na ordem que o negócio priorizou.
4
públicos-alvo no centro da arquitetura
4
áreas de atuação estruturadas
4
produtos em foco no fluxo de conversão
1
CTA de conversão em cada página
Resultados
Sou honesta sobre onde este case termina. O site foi entregue, está no ar e a manutenção ficou com o time interno, como o negócio pediu. A medição formal dos resultados começaria na fase seguinte, com o Google Analytics acompanhando tráfego, engajamento, conversão e posição de busca contra os indicadores que definimos no início. O feedback que colhi até a entrega veio do time interno e alimentou os ajustes finais de texto, layout e navegação. O resultado imediato foi estrutural: uma base clara, responsiva e fácil de atualizar, pronta para converter e pronta para crescer sem depender de retrabalho a cada mudança.
Aprendizados
- Requisito mal levantado cobra juros depois. O ponto que mais gerou retrabalho foi ter começado com requisitos incompletos, o que trouxe ajustes ao longo de todo o percurso. Aprendi a investir mais tempo no levantamento inicial, porque cada pergunta feita no começo economiza uma rodada de revisão no fim.
- Conteúdo é arquitetura, não enfeite. O que destravou o site pesado não foi um layout mais bonito, foi decidir o que entrava e o que saía de cada página a partir de quatro públicos claros. Estratégia de conteúdo e arquitetura da informação foram o que transformaram excesso em clareza.
- Conversão mora na estrutura. Espalhar um CTA em cada página parece um detalhe, mas foi a decisão que alinhou o site ao objetivo real do negócio, gerar leads. Autoridade de marca e geração de contato não competem, se sustentam.
- Foi onde eu virei dona do processo inteiro. Este foi o primeiro projeto em que conduzi um site de ponta a ponta, da escuta do negócio à publicação. Ele me mostrou o quanto planejar um produto digital é maior do que desenhar telas, e abriu, na prática, a porta para uma consultoria externa que veio depois.

